Romance

A Dama das Camelias: Resumo do Classico de Alexandre Dumas Filho sobre Amor e Sacrificio

Em Paris, ela só usava camélias e escondia, sob as sedas e o riso das festas, uma tosse que a estava matando. Quando um jovem a amou de verdade, Marguerite cometeu o maior erro de uma cortesã: acreditou que ainda podia ser feliz. O preço desse amor seria tudo o que ela tinha.

Jonathan MachadoJonathan Machado
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A1 · Iniciante
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Naquele inverno parisiense, todos os teatros conheciam a mulher do camarote da frente. Marguerite Gautier chegava sempre com um buquê de camélias, brancas na maior parte do mês, vermelhas em alguns dias, e ninguém ousava perguntar o porquê. Ela ria alto, bebia champanhe, deixava que os homens mais ricos da cidade pagassem seus vestidos e suas joias. Por trás do riso, porém, havia uma palidez que o pó de arroz não cobria de todo, e de vez em quando um lenço subia depressa aos lábios.

ES

Aquel invierno parisino, todos los teatros conocían a la mujer del palco de delante. Marguerite Gautier llegaba siempre con un ramo de , blancas casi todo el mes, rojas en algunos días, y nadie se atrevía a preguntar por qué. Ella reía fuerte, bebía champán y dejaba que los hombres más ricos de la ciudad pagaran sus vestidos y sus . Detrás de la risa, sin embargo, había una palidez que los polvos no cubrían del todo, y de vez en cuando un pañuelo subía deprisa a sus labios.

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Numa dessas noites, um rapaz a observava de longe. Armand Duval não tinha fortuna, não tinha título, tinha apenas vinte e poucos anos e um coração que batia errado toda vez que ela passava. Fazia meses que a seguia em silêncio. Quando finalmente foi apresentado, gaguejou, corou, e Marguerite achou graça naquele moço tão diferente dos outros. "O senhor é engraçado", disse ela, "olha para mim como se eu fosse uma pessoa de verdade."

ES

En una de esas noches, un joven la observaba de lejos. Armand Duval no tenía fortuna ni título, tenía solo veintitantos años y un que latía mal cada vez que ella pasaba. Hacía meses que la seguía en silencio. Cuando por fin se lo presentaron, tartamudeó, se puso rojo, y a Marguerite le hizo gracia aquel muchacho tan distinto de los demás. "Usted es gracioso", dijo ella, "me mira como si yo fuera una persona de verdad."

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O que Armand não sabia, e ela não dizia, é que estava doente. A tuberculose já vivia dentro dela, devorando-a por dentro enquanto Paris a invejava por fora. Numa madrugada, depois de uma festa, ela teve um acesso de tosse tão violento que precisou se recolher. Armand, que ficara para trás, encontrou-a abatida no quarto e, em vez de fugir, ajoelhou-se diante dela com lágrimas nos olhos. "Há um ano eu choro pela senhora", confessou. "Deixe-me cuidar de você."

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Lo que Armand no sabía, y ella no decía, es que estaba . La tuberculosis ya vivía dentro de ella, devorándola por dentro mientras París la envidiaba por fuera. Una madrugada, después de una fiesta, tuvo un ataque de tos tan violento que tuvo que retirarse. Armand, que se había quedado atrás, la encontró agotada en la habitación y, en vez de huir, se arrodilló ante ella con en los ojos. "Hace un año que lloro por usted", confesó. "Déjeme cuidar de ti."

PT

Ninguém nunca tinha chorado por Marguerite sem querer nada em troca. Aquele rapaz a amava não pela mulher brilhante das festas, mas pela criatura cansada que tossia escondida. Algo dentro dela, há muito tempo congelado, começou a derreter. Pela primeira vez em anos, ela teve medo, não da morte, mas de sentir de novo. Ainda assim, entregou-lhe uma camélia e disse baixinho: "Volte quando esta flor murchar."

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Nadie había llorado nunca por Marguerite sin querer nada a cambio. Aquel joven la amaba no por la mujer brillante de las fiestas, sino por la criatura cansada que tosía a escondidas. Algo dentro de ella, congelado hacía mucho tiempo, empezó a derretirse. Por primera vez en años sintió miedo, no de la muerte, sino de volver a sentir. Aun así, le entregó una camelia y dijo en voz baja: "Vuelva cuando esta flor se marchite."

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Ele voltou, e voltou todas as noites depois daquela. O amor cresceu rápido, como crescem as coisas de quem não tem tempo a perder. Marguerite, que conhecia o luxo dos duques, descobriu uma felicidade simples nos braços de um homem sem dinheiro. Decidiu então fazer o impensável: largar Paris, os credores, os protetores ricos, e ir viver com Armand no campo. Vendeu joias e cavalos em segredo para sustentar o sonho, sem que ele soubesse.

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Él volvió, y volvió todas las noches después de aquella. El amor creció rápido, como crecen las cosas de quien no tiene tiempo que perder. Marguerite, que conocía el lujo de los duques, descubrió una sencilla en los brazos de un hombre sin dinero. Decidió entonces hacer lo impensable: dejar París, las deudas, los protectores ricos, e ir a vivir con Armand en el . Vendió y caballos en secreto para sostener el sueño, sin que él lo supiera.

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A casa de campo tinha jardim, silêncio e manhãs de luz. Ali os dois viveram um verão que parecia roubado de outra vida. Marguerite acordava sem tosse, ou quase, e Armand jurava que o ar do interior a curaria. "Nunca fui feliz antes de você", disse ela uma tarde, deitada na grama. Pela primeira vez não havia camélias compradas: havia flores de verdade colhidas no quintal.

ES

La casa de tenía jardín, silencio y mañanas de luz. Allí los dos vivieron un verano que parecía robado de otra vida. Marguerite se despertaba sin tos, o casi, y Armand juraba que el aire del la curaría. "Nunca fui feliz antes de ti", dijo ella una tarde, da en la hierba. Por primera vez no había compradas: había flores de verdad recogidas en el patio.

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Foi nesse paraíso que a tragédia entrou pela porta da frente, vestida de respeitabilidade. Um senhor de idade, sério, chegou enquanto Armand estava fora. Era o pai do rapaz, o velho Duval. Sentou-se diante de Marguerite e, com voz firme e educada, pediu o que mais doía. "A senhora está arruinando meu filho e a honra da minha família."

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Fue en ese paraíso donde la entró por la puerta principal, vestida de respetabilidad. Un señor mayor, serio, llegó mientras Armand estaba fuera. Era el padre del joven, el viejo Duval. Se sentó frente a Marguerite y, con voz firme y educada, pidió lo que más dolía. "Usted está arruinando a mi hijo y la de mi familia."

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Ele explicou que Armand tinha uma irmã pura, prometida em casamento, e que a família do noivo havia descoberto a ligação do rapaz com uma cortesã. O escândalo desfaria o casamento da moça inocente. "A senhora pode amá-lo, eu acredito", disse o velho, "mas o amor de uma mulher como a senhora não tem futuro aos olhos do mundo. Um dia ele vai se cansar, e a senhora terá perdido tudo, e ele também." Cada palavra era uma faca, e o pior é que havia verdade em todas.

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Él explicó que Armand tenía una hermana pura, prometida en matrimonio, y que la familia del novio había descubierto la relación del muchacho con una cortesana. El escándalo deshacía la boda de la joven inocente. "Usted puede amarlo, lo creo", dijo el viejo, "pero el amor de una mujer como usted no tiene futuro a los ojos del mundo. Un día él se cansará, y usted habrá perdido todo, y él también." Cada palabra era un cuchillo, y lo peor es que había verdad en todas.

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Marguerite ouviu tudo calada, as mãos tremendo no colo. Ela sabia que era a única coisa entre Armand e uma vida respeitável. Amá-lo de verdade, percebeu, era exatamente o que a obrigava a deixá-lo. "Diga-me o que devo fazer", murmurou afinal, com o rosto molhado. O velho pediu o sacrifício maior: que ela desaparecesse, e que jamais contasse a Armand o motivo verdadeiro.

ES

Marguerite lo escuchó todo callada, las manos temblando en el regazo. Sabía que era lo único que había entre Armand y una vida respetable. Amarlo de verdad, comprendió, era exactamente lo que la obligaba a dejarlo. "Dígame qué debo hacer", murmuró al fin, con el rostro mojado. El viejo pidió el sacrificio más grande: que ella desapareciera, y que jamás le contara a Armand el motivo verdadero.

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Então ela fez a coisa mais cruel da própria vida, por amor. Escreveu a Armand uma carta fria, dizendo que sentia falta do luxo, que voltara para os braços de outro, que tudo entre eles tinha sido um capricho passageiro. Arrumou as malas e fugiu para Paris antes que ele chegasse. Cada linha mentirosa era uma parte dela morrendo, mas era o único jeito de salvá-lo de si mesma.

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Entonces hizo la cosa más cruel de su propia vida, por amor. Le escribió a Armand una fría, diciendo que echaba de menos el lujo, que había vuelto a los brazos de otro, que todo entre ellos había sido un capricho pasajero. Hizo las maletas y huyó a París antes de que él llegara. Cada línea mentirosa era una parte de ella muriendo, pero era la única manera de salvarlo de sí mismo.

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Armand leu a carta e não entendeu nada além da dor. O amor virou ódio da noite para o dia. De volta a Paris, ele a procurava nas festas só para humilhá-la, a tratava com desprezo diante de todos, jogava dinheiro aos seus pés como se ela não passasse de mercadoria. Marguerite suportava tudo em silêncio, sem se defender, porque defender-se seria contar a verdade e quebrar a promessa. Por dentro, a doença avançava, alimentada pela tristeza.

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Armand leyó la y no entendió nada más allá del dolor. El amor se convirtió en odio de la noche a la mañana. De vuelta en París, la buscaba en las fiestas solo para humillarla, la trataba con desprecio delante de todos, le tiraba dinero a los pies como si ella no fuera más que mercancía. Marguerite lo soportaba todo en silencio, sin defenderse, porque defenderse sería contar la verdad y romper la promesa. Por dentro, la avanzaba, alimentada por la tristeza.

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Numa dessas cenas, Armand foi longe demais. Diante de uma sala cheia, atirou maços de notas no rosto dela, como pagamento das noites passadas. "Aqui está o que devo", cuspiu, com a voz rachada de raiva. Marguerite empalideceu, levou a mão ao peito e desmaiou. As outras mulheres a cercaram, e ele saiu sem olhar para trás, sem saber que acabara de ferir a única pessoa que se sacrificara por ele.

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En una de esas escenas, Armand fue demasiado lejos. Delante de una sala llena, le arrojó fajos de billetes a la cara, como pago de las noches pasadas. "Aquí está lo que debo", escupió, con la voz rota de rabia. Marguerite palideció, se llevó la mano al pecho y se desmayó. Las otras mujeres la rodearon, y él salió sin mirar atrás, sin saber que acababa de herir a la única persona que se había sacrificado por él.

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O inverno seguinte foi o último. Abandonada pelos protetores, sem o brilho que a sustentava, Marguerite definhou num quarto frio. A tosse já trazia sangue, e os credores levaram os móveis um a um. Sozinha, com poucas amigas restando, ela passava as noites escrevendo num diário, contando a verdade que prometera calar. "Se ele soubesse", escreveu numa página, "talvez não me odiasse tanto. Mas que ele me odeie e viva, em vez de me amar e se perder."

ES

El invierno siguiente fue el último. Abandonada por los protectores, sin el brillo que la sostenía, Marguerite se consumió en una habitación fría. La tos ya traía sangre, y los acreedores se llevaron los muebles uno a uno. Sola, con pocas amigas que quedaban, pasaba las noches escribiendo en un diario, contando la verdad que había prometido callar. "Si él lo supiera", escribió en una página, "quizá no me odiaría tanto. Pero que me odie y viva, en vez de amarme y perderse."

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Armand viajara para longe, tentando esquecer. Quando finalmente voltou, era tarde demais. Encontrou o apartamento fechado e soube, pela boca de uma amiga dela, que Marguerite havia morrido sozinha, chamando o nome dele até o fim. Entregaram-lhe o diário. Página após página, ele descobriu o pai, o pacto secreto, o sacrifício, a mentira que tinha sido o maior gesto de amor que alguém já fizera por ele.

ES

Armand se había ido lejos, tratando de olvidar. Cuando por fin regresó, ya era demasiado tarde. Encontró el apartamento cerrado y supo, por boca de una amiga de ella, que Marguerite había muerto sola, llamando su nombre hasta el final. Le entregaron el diario. Página tras página, descubrió al padre, el pacto secreto, el sacrificio, la mentira que había sido el gesto de amor más grande que alguien hizo jamás por él.

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O rapaz que a havia humilhado em público chorou então como nunca chorara. Tarde demais para pedir perdão, tarde demais para os jardins do verão, tarde demais para tudo. Mandou colocar sobre o túmulo dela um buquê de camélias brancas, as flores que ela carregava quando ainda podia ser amada sem culpa. E ali, de joelhos diante da pedra, entendeu enfim que o maior amor da sua vida tinha morrido fingindo não amá-lo, só para que ele pudesse viver.

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El joven que la había humillado en público lloró entonces como nunca había llorado. Demasiado tarde para pedir perdón, demasiado tarde para los jardines del verano, demasiado tarde para todo. Mandó poner sobre su un ramo de blancas, las flores que ella llevaba cuando todavía podía ser amada sin culpa. Y allí, de rodillas ante la piedra, entendió por fin que el mayor amor de su vida había muerto fingiendo no amarlo, solo para que él pudiera vivir.

ESVocabulário da história

Sobre a obra

"A Dama das Camélias" (La Dame aux camélias) é um romance de Alexandre Dumas Filho, publicado em 1848 na França. O autor se inspirou em uma paixão real da própria juventude, por uma célebre cortesã parisiense chamada Marie Duplessis, que morreu de tuberculose muito jovem. A história nasceu, portanto, de uma ferida verdadeira.

Poucos anos depois, Dumas Filho transformou o romance em peça de teatro, e foi nos palcos que a obra explodiu em fama. Ela inspirou ainda a ópera "La Traviata", de Giuseppe Verdi, que levou Marguerite (ali chamada Violetta) para os teatros líricos do mundo inteiro.

O que torna o livro um clássico é a forma comovente como retrata o amor, o sacrifício e o peso do julgamento social sobre uma mulher. Mais de cem anos depois, a camélia branca de Marguerite continua sendo um dos símbolos mais conhecidos da literatura romântica.

Perguntas frequentes

Por que Marguerite só usava camélias?

A camélia era a flor que a acompanhava a todo lugar, como uma assinatura pessoal. Na história, ela a usava branca quase o mês inteiro e vermelha em alguns dias, sem explicar o motivo a ninguém. A flor virou o símbolo da personagem e dá nome à obra.

Por que Marguerite abandonou Armand se o amava?

O pai de Armand a procurou em segredo e pediu que ela deixasse o filho, porque a ligação dele com uma cortesã ameaçava a honra da família e o casamento da irmã dele. Por amor, Marguerite fingiu não amá-lo mais e fugiu, guardando o verdadeiro motivo em silêncio. Armand só descobriu a verdade depois da morte dela, ao ler seu diário.

A história é baseada em fatos reais?

Em parte sim. Alexandre Dumas Filho se inspirou em sua paixão real por Marie Duplessis, uma cortesã parisiense que morreu jovem de tuberculose. Os personagens e o enredo são ficção, mas o sentimento e o pano de fundo nasceram dessa experiência verdadeira.