Sobre a obra
'Memórias de um Sargento de Milícias' foi escrito por Manuel Antônio de Almeida e publicado em folhetins, de forma anônima, entre 1852 e 1853, no jornal Correio Mercantil do Rio de Janeiro. O autor era um jovem estudante de medicina, e morreu cedo, aos 30 anos, num naufrágio, deixando praticamente esta única obra de fôlego.
O livro é um caso curioso na literatura brasileira: nasceu no auge do Romantismo, mas foge do herói idealizado e da mocinha sofrida. Em vez disso, traz o chamado romance picaresco, centrado num anti-herói esperto e malandro, e pinta com humor e realismo o povo comum do Rio dos tempos do rei, suas festas, intrigas e modos de viver.
Por esse retrato vivo e bem-humorado da malandragem brasileira, a figura de Leonardo costuma ser apontada como um ancestral literário do nosso 'malandro carioca'. A obra entrou para o cânone, virou leitura clássica nas escolas e ganhou adaptações para cinema e televisão, mantendo até hoje seu sabor leve e divertido.