Romance

Noites Brancas: Resumo do Romance de Dostoievski sobre Amor e Solidao

Era uma daquelas noites brancas de São Petersburgo em que o céu nunca escurece de todo. Um rapaz que só conversa com as ruas vê uma moça chorando junto ao canal. Ele se aproxima. Em quatro noites, a solidão dele aprende o nome dela: Nástienka. E aprende também o que custa amar alguém que espera por outro.

Jonathan MachadoJonathan Machado
4 min de leitura891 palavras

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A1 · Iniciante
PT

Era a estação das noites brancas em São Petersburgo, quando o verão estica a luz até quase o amanhecer e o céu fica de um cinza-rosado que nunca chega a escurecer. Eu andava pelas ruas como fazia todas as noites, sem destino, conversando comigo mesmo, conhecendo as casas pelos nomes que eu inventava para elas. Aquela cidade era minha única amiga. Naquela noite, porém, senti algo estranho: era como se todos tivessem ido embora, como se a cidade me abandonasse, e eu fiquei oprimido por uma tristeza que não sabia nomear.

ES

Era la estación de las en San Petersburgo, cuando el verano estira la luz casi hasta el amanecer y el cielo queda de un gris rosado que nunca llega a oscurecer. Yo caminaba por las calles como hacía todas las noches, sin rumbo, hablando conmigo mismo, conociendo las casas por los nombres que yo les inventaba. Aquella ciudad era mi única amiga. Esa noche, sin embargo, sentí algo extraño: era como si todos se hubieran ido, como si la ciudad me abandonara, y quedé oprimido por una tristeza que no sabía nombrar.

PT

Foi então que a vi, encostada no parapeito do canal, junto à água escura e parada. Estava de pé, sozinha, e o ombro dela tremia de leve. Percebi que chorava, baixinho, com o rosto voltado para o rio. Parei a alguns passos, sem coragem de falar, o coração batendo de um jeito que eu não conhecia. Nunca, em toda a minha vida, eu havia dirigido a palavra a uma mulher.

ES

Fue entonces cuando la vi, apoyada en el parapeto del , junto al agua oscura y quieta. Estaba de pie, sola, y su hombro temblaba un poco. Me di cuenta de que , en voz baja, con el rostro vuelto hacia el río. Me detuve a unos pasos, sin valor para hablar, con el latiendo de un modo que yo no conocía. Nunca, en toda mi vida, le había dirigido la palabra a una mujer.

PT

Um homem que passava, bêbado, soltou um gracejo grosseiro na direção dela, e ela apressou o passo, assustada. Sem pensar, avancei, fiz o tal homem recuar, e me vi caminhando ao lado dela, ofegante, sem saber o que dizer. "Não tenha medo", balbuciei, "eu só queria que a senhora chegasse em casa em paz." Ela me olhou de lado, ainda desconfiada, mas algo no meu jeito desajeitado a fez sorrir um pouco. "O senhor é estranho", disse ela, "mas acho que não é perigoso."

ES

Un hombre que pasaba, borracho, le soltó una broma grosera, y ella apresuró el paso, asustada. Sin pensar, avancé, hice retroceder a ese hombre, y me vi caminando a su lado, sin aliento, sin saber qué decir. "No tenga miedo", balbuceé, "yo solo quería que usted llegara a casa en paz." Ella me miró de reojo, todavía desconfiada, pero algo en mi forma torpe la hizo sonreír un poco. "Usted es extraño", dijo ella, "pero creo que no es peligroso."

PT

Andamos um trecho em silêncio, até que as palavras começaram a sair de mim como água de uma represa rompida. Contei a ela que eu era um sonhador, que vivia sozinho havia anos, que passava as noites imaginando histórias e que não tinha um único amigo de verdade no mundo. "Já tenho vinte e seis anos", confessei, "e nunca conheci ninguém. Falo com as casas. Espero uma vida que nunca começa." Ela ouvia com os olhos arregalados, e em vez de rir, ficou comovida. "Que coisa triste", murmurou. "E que coisa bonita, também."

ES

Caminamos un trecho en silencio, hasta que las palabras empezaron a salir de mí como agua de una represa rota. Le conté que yo era un , que vivía solo desde hacía años, que pasaba las noches imaginando historias y que no tenía un solo amigo de verdad en el mundo. "Ya tengo veintiséis años", confesé, "y nunca he conocido a nadie. Hablo con las casas. Espero una vida que nunca empieza." Ella escuchaba con los ojos muy abiertos, y en vez de reír, se conmovió. "Qué cosa tan triste", murmuró. "Y qué cosa tan bonita, también."

PT

Ela se chamava Nástienka. Antes de nos despedirmos, ela me fez prometer que voltaria ali, ao mesmo lugar, na noite seguinte. "Mas não vá se apaixonar por mim", avisou, levantando o dedo, séria. "Isso eu não posso permitir. Posso lhe oferecer minha amizade, e só. O coração já tem dono." Eu prometi tudo o que ela quis, feliz como nunca, sem nem perceber que aquela promessa já estava quebrada antes de ser feita.

ES

Ella se llamaba Nástienka. Antes de despedirnos, me hizo prometer que volvería allí, al mismo lugar, la noche siguiente. "Pero no vaya a enamorarse de mí", advirtió, levantando el dedo, seria. "Eso no se lo puedo permitir. Puedo ofrecerle mi , y nada más. El ya tiene dueño." Yo prometí todo lo que ella quiso, feliz como nunca, sin darme cuenta de que aquella promesa ya estaba rota antes de hacerse.

PT

Na segunda noite, ela me esperava. Sentamos no banco à beira do canal, e foi a vez dela de falar. Vivia com a avó cega, que, para não a perder de vista, prendia o vestido da neta ao seu próprio com um alfinete. "Imagine", riu ela, "passo os dias presa por um alfinete a uma velhinha que cochila." Ria, mas havia nos olhos dela uma fome de mundo que apertava o meu peito. Eu a ouvia e pensava: nunca quis tanto que uma noite não terminasse.

ES

En la segunda noche, ella me esperaba. Nos sentamos en el banco a la orilla del , y fue su turno de hablar. Vivía con la ciega, que, para no perderla de vista, prendía el vestido de la nieta al suyo con un . "Imagínese", se rió ella, "paso los días sujeta por un a una viejecita que se duerme." Reía, pero había en sus ojos un hambre de mundo que me apretaba el pecho. Yo la escuchaba y pensaba: nunca quise tanto que una noche no terminara.

PT

Então ela me contou do inquilino. Um jovem havia alugado o quarto de cima na casa da avó, um rapaz educado, que lhe emprestava livros e a levava, com a avó, à ópera. Aos poucos, sem que ninguém combinasse, os dois se entenderam. "Eu o amo", disse Nástienka, baixinho, e a palavra caiu sobre mim como uma pedra fria. "Eu o amo, e ele me ama. Tenho certeza." Sorri para ela como se aquilo não me ferisse, e talvez tenha sido a coisa mais difícil que já fiz.

ES

Entonces me habló del . Un joven había alquilado el cuarto de arriba en la casa de la , un muchacho educado, que le prestaba libros y la llevaba, con la , a la ópera. Poco a poco, sin que nadie lo acordara, los dos se entendieron. "Yo lo amo", dijo Nástienka, en voz baja, y la palabra cayó sobre mí como una piedra fría. "Yo lo amo, y él me ama. Estoy segura." Le sonreí como si aquello no me hiriera, y tal vez fue lo más difícil que he hecho.

PT

O rapaz, contou ela, precisou partir para Moscou a negócios. Antes de ir, prometeu que voltaria em exatamente um ano, e que, se ainda a amasse e ela a ele, então se casariam. "Já faz um ano", disse Nástienka, e a voz tremeu. "Ele chegou a São Petersburgo, eu sei que chegou. E não veio me procurar. Há três noites venho aqui esperar, e nada. Por isso o senhor me encontrou chorando." Eu segurei a mão dela, fingindo ser apenas um amigo, e nada mais.

ES

El muchacho, me contó, tuvo que partir a Moscú por negocios. Antes de irse, prometió que volvería en exactamente un año, y que, si todavía la amaba y ella a él, entonces se casarían. "Ya hace un año", dijo Nástienka, y la voz le tembló. "Él llegó a San Petersburgo, sé que llegó. Y no vino a buscarme. Hace tres noches que vengo aquí a esperar, y nada. Por eso usted me encontró llorando." Yo le sostuve la mano, fingiendo ser solo un amigo, y nada más.

PT

Ofereci ajuda. Disse que eu mesmo levaria uma carta dela ao rapaz, se ela quisesse, e ela me abraçou de gratidão, chamando-me de o melhor dos amigos. Escrevemos a carta juntos, naquela mesma noite, e eu a entreguei. E enquanto eu fazia tudo isso por ela, com zelo de irmão, eu morria por dentro, porque a cada gesto de bondade meu eu a empurrava de volta para os braços de outro. Nunca o amor doeu de modo tão silencioso.

ES

Le ofrecí ayuda. Dije que yo mismo le llevaría una al muchacho, si ella quería, y ella me abrazó de gratitud, llamándome el mejor de los amigos. Escribimos la juntos, esa misma noche, y yo la entregué. Y mientras yo hacía todo eso por ella, con celo de hermano, me moría por dentro, porque con cada gesto de bondad mío la empujaba de vuelta a los brazos de otro. Nunca el amor dolió de un modo tan silencioso.

PT

Na terceira noite, ele não respondeu, e ela chorou de novo. Mas, talvez por desespero, talvez por cansaço da espera, Nástienka começou a se voltar para mim de um jeito diferente. "O senhor é tão bom", dizia, encostando a cabeça no meu ombro. "Por que não foi o senhor que apareceu primeiro? Por que ele, e não o senhor?" Eu tremia de esperança e de medo. Não disse nada. Tinha medo de quebrar aquele instante frágil só de respirar.

ES

En la tercera noche, él no respondió, y ella lloró de nuevo. Pero, tal vez por desesperación, tal vez por cansancio de la espera, Nástienka empezó a volverse hacia mí de una manera diferente. "Usted es tan bueno", decía, apoyando la cabeza en mi hombro. "¿Por qué no fue usted quien apareció primero? ¿Por qué él, y no usted?" Yo temblaba de esperanza y de miedo. No dije nada. Tenía miedo de romper aquel instante frágil con solo respirar.

PT

Na quarta noite, ela chegou transformada. Ele não viera, não escrevera, e algo nela parecia ter se rompido e renascido ao mesmo tempo. "Acabou", declarou. "Ele me esqueceu. Não vou mais chorar por quem não me quis." E então, olhando para mim com os olhos molhados, disse o que eu não ousara nem sonhar: "O senhor me ama, não ama? Eu sei que sim. E eu... acho que aprendi a amar o senhor." O mundo inteiro pareceu se acender.

ES

En la cuarta noche, ella llegó transformada. Él no había venido, no había escrito, y algo en ella parecía haberse roto y renacido al mismo tiempo. "", declaró. "Él me ha olvidado. No voy a llorar más por quien no me quiso." Y entonces, mirándome con los ojos húmedos, dijo lo que yo no me había atrevido ni a soñar: "Usted me ama, ¿no es verdad? Sé que sí. Y yo... creo que he aprendido a amarlo." El mundo entero pareció encenderse.

PT

Caminhamos abraçados sob aquele céu pálido, fazendo planos como duas crianças. Ela me pediu perdão por ter amado outro, e eu disse que não havia nada a perdoar, que aquele amor antigo a havia feito quem ela era, e que era exatamente essa pessoa que eu adorava. "Vamos morar perto da minha avó", planejava ela, rindo. "O senhor vai ler para ela. Vamos ser felizes, vai ver." Eu acreditei. Por alguns minutos, acreditei em tudo, e foi a felicidade mais completa da minha vida.

ES

Caminamos abrazados bajo aquel cielo pálido, haciendo planes como dos niños. Ella me pidió perdón por haber amado a otro, y yo dije que no había nada que perdonar, que aquel amor antiguo la había hecho quien era, y que era exactamente a esa persona a quien yo adoraba. "Vamos a vivir cerca de mi ", planeaba ella, riendo. "Usted le va a leer. Vamos a ser felices, ya verá." Yo lo creí. Por unos minutos, lo creí todo, y fue la felicidad más completa de mi vida.

PT

Então uma figura surgiu na outra margem da rua. Nástienka apertou meu braço, congelou, e eu senti a mão dela gelar contra a minha. Era ele. O rapaz havia voltado, afinal. Por um instante ninguém se moveu, e o tempo ficou suspenso entre nós três naquela calçada deserta, sob a luz que não era nem dia nem noite.

ES

Entonces una figura surgió en la otra orilla de la calle. Nástienka me apretó el brazo, se quedó congelada, y sentí su mano enfriarse contra la mía. Era él. El muchacho había vuelto, después de todo. Por un instante nadie se movió, y el tiempo quedó suspendido entre nosotros tres en aquella acera desierta, bajo la luz que no era ni día ni noche.

PT

Ela soltou um grito sufocado, hesitou, olhou para mim uma única vez, e correu. Correu para ele, atirou-se nos braços dele, e os dois ficaram ali enlaçados como se nunca tivessem se separado. Eu permaneci parado onde estava, vendo de longe a felicidade que por um sopro eu havia chamado de minha. Não houve cena, não houve briga. Apenas o som dos passos dela se afastando, e o silêncio voltando a me cobrir como sempre cobrira.

ES

Ella soltó un grito ahogado, dudó, me miró una sola vez, y corrió. Corrió hacia él, se arrojó a sus brazos, y los dos quedaron allí abrazados como si nunca se hubieran separado. Yo me quedé parado donde estaba, viendo de lejos la felicidad que por un soplo había llamado mía. No hubo escena, no hubo pelea. Solo el sonido de sus pasos alejándose, y el silencio volviendo a cubrirme como siempre me había cubierto.

PT

Na manhã seguinte chegou um bilhete dela. Pedia perdão, dizia que me amava como a um irmão, que jamais me esqueceria, que eu havia sido a bondade que a salvara naqueles dias escuros. "Seja feliz", escreveu, "e perdoe, perdoe, perdoe." Sentei-me à janela do meu quarto, o mesmo quarto de sempre, com suas paredes manchadas e suas teias de aranha que eu conhecia uma por uma. E não senti raiva. Apenas uma ternura imensa e cansada.

ES

A la mañana siguiente llegó una nota suya. Pedía perdón, decía que me amaba como a un hermano, que jamás me olvidaría, que yo había sido la bondad que la había salvado en aquellos días oscuros. "Sé feliz", escribió, "y perdona, perdona, perdona." Me senté junto a la ventana de mi cuarto, el mismo cuarto de siempre, con sus paredes manchadas y sus telarañas que yo conocía una por una. Y no sentí rabia. Solo una ternura inmensa y cansada.

PT

Que importa que ela pertença a outro? Que importa que aquela alegria tenha durado só quatro noites? Eu tive quatro noites inteiras de felicidade, e quantos homens recebem sequer isso em toda uma vida? "Que sejas abençoada", pensei, olhando o céu de São Petersburgo clarear devagar, "por aquele minuto de ventura que deste a um coração solitário e grato." E continuei ali, o sonhador de sempre, mas agora com uma lembrança que valia o mundo inteiro.

ES

¿Qué importa que ella pertenezca a otro? ¿Qué importa que aquella alegría haya durado solo cuatro noches? Tuve cuatro noches enteras de felicidad, ¿y cuántos hombres reciben siquiera eso en toda una vida? "Que seas bendecida", pensé, mirando el cielo de San Petersburgo aclararse despacio, "por aquel minuto de dicha que le diste a un solitario y agradecido." Y seguí allí, el de siempre, pero ahora con un que valía el mundo entero.

ESVocabulário da história

Sobre a obra

"Noites Brancas" é uma novela curta de Fiódor Dostoiévski, publicada em 1848, quando o autor russo ainda era jovem e estava longe dos grandes romances que o tornariam imortal, como "Crime e Castigo" e "Os Irmãos Karamázov". É uma das suas obras mais doces e líricas, subtitulada "Romance sentimental: das memórias de um sonhador".

A história se passa em São Petersburgo durante as noites brancas, o fenômeno do verão em que o sol mal se põe e a cidade vive numa luz suspensa, quase irreal. Dostoiévski usa esse cenário mágico para desenhar o retrato de um homem solitário, o típico "sonhador" que prefere a imaginação à vida real, e o breve milagre de quatro noites em que ele quase é feliz.

Curta, terna e melancólica, a novela continua a encantar leitores do mundo inteiro e já inspirou filmes em vários países. É a prova de que, mesmo sem tragédia, uma despedida pode ser inesquecível, e de que basta um instante de felicidade verdadeira para iluminar uma vida inteira.

Perguntas frequentes

Noites Brancas tem final feliz ou triste?

É um final agridoce, sem tragédia. Nástienka volta para o noivo que esperava, e o sonhador fica sozinho de novo, mas em paz: ele guarda como um tesouro a lembrança das quatro noites de felicidade que viveu. Dostoiévski escolhe a ternura e a melancolia, não o drama.

Por que a história se chama 'Noites Brancas'?

As noites brancas são um fenômeno real do verão em cidades muito ao norte, como São Petersburgo, onde o sol quase não se põe e o céu permanece claro pela madrugada. Toda a história acontece nessas quatro noites luminosas, e a luz suspensa cria a atmosfera de sonho que combina com o narrador.

Quem é o sonhador da história?

É o narrador, um jovem de vinte e seis anos que vive sozinho em São Petersburgo, sem amigos, alimentando-se da própria imaginação e até conversando com as casas da cidade. O encontro com Nástienka é a primeira vez que sua vida interior toca a vida real, e por isso o marca para sempre.