Terror

O Coracao Delator: Resumo do Conto de Edgar Allan Poe

Ele jura que não é louco, só ouve coisas que os outros não ouvem. Toda noite, à meia-noite, ele abre a porta do quarto do velho e fica olhando aquele olho. Até a madrugada em que o olho se abre no escuro, e algo embaixo do assoalho começa a bater.

Jonathan MachadoJonathan Machado
4 min de leitura810 palavras

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A1 · Iniciante
PT

Não, eu não sou louco. Como podem dizer isso de mim? A doença apenas aguçou meus sentidos, não os destruiu, não os embotou. Acima de tudo, era o ouvido. Eu ouvia todas as coisas no céu e na terra. Ouvia muitas coisas no inferno. Então me digam: como posso ser louco? Escutem. Reparem com que calma, com que clareza posso contar a vocês a história inteira.

ES

No, yo no estoy loco. ¿Cómo pueden decir eso de mí? La enfermedad solo afinó mis sentidos, no los destruyó, no los volvió torpes. Sobre todo era el . Yo oía todas las cosas del cielo y de la tierra. Oía muchas cosas del infierno. Entonces díganme: ¿cómo puedo estar loco? Escuchen. Fíjense con qué calma, con qué claridad puedo contarles la historia entera.

PT

É impossível dizer como a ideia entrou na minha cabeça pela primeira vez. Mas, uma vez plantada, ela me assombrava dia e noite. Não havia objetivo. Não havia paixão. Eu amava o velho. Ele nunca me fez mal. Nunca me ofendeu. Pelo ouro dele eu não tinha desejo nenhum. Acho que foi o olho. Sim, foi isso. Ele tinha o olho de um abutre, um olho azul-pálido coberto por uma película. Quando aquele olho caía sobre mim, meu sangue gelava. E então, pouco a pouco, eu resolvi tirar a vida do velho e me livrar daquele olho para sempre.

ES

Es imposible decir cómo entró la idea en mi cabeza por primera vez. Pero, una vez plantada, me perseguía de día y de noche. No había un objetivo. No había pasión. Yo amaba al viejo. Él nunca me hizo daño. Nunca me ofendió. Por su oro no sentía ningún deseo. Creo que fue el . Sí, fue eso. Él tenía el de un buitre, un azul pálido cubierto por una película. Cuando aquel caía sobre mí, la se me helaba. Y entonces, poco a poco, decidí quitarle la vida al viejo y librarme de aquel para siempre.

PT

Agora vejam o ponto. Vocês me acham louco. Os loucos não sabem de nada. Mas vocês deviam ter me visto. Deviam ter visto com que sabedoria eu procedi, com que cautela, com que dissimulação, com que cuidado pus mãos à obra. Eu nunca fui tão gentil com o velho quanto na semana inteira antes de matá-lo. E toda noite, por volta da meia-noite, eu girava o trinco da porta dele e a abria. Abria devagar, tão devagar.

ES

Ahora fíjense bien. Ustedes me creen loco. Los locos no saben nada. Pero deberían haberme visto. Deberían haber visto con qué sabiduría procedí, con qué cautela, con qué disimulo, con qué cuidado puse manos a la obra. Nunca fui tan amable con el viejo como durante toda la semana antes de matarlo. Y cada noche, hacia la , giraba el picaporte de su puerta y la abría. La abría , muy .

PT

Quando havia aberto o suficiente para a minha cabeça, eu enfiava uma lanterna fechada, toda escura, sem deixar escapar nenhuma luz. Depois passava a cabeça. Ah, vocês teriam rido ao ver com que esperteza eu a enfiava. Eu a movia devagar, muito, muito devagar, para não perturbar o sono do velho. Levava uma hora inteira só para pôr a cabeça pela fresta, o bastante para vê-lo deitado na cama. Diga, um louco teria sido tão prudente assim?

ES

Cuando había abierto lo suficiente para mi cabeza, metía una cerrada, toda oscura, sin dejar escapar ninguna luz. Después pasaba la cabeza. Ah, ustedes se habrían reído al ver con qué astucia la metía. La movía , muy, muy , para no perturbar el sueño del viejo. Tardaba una hora entera solo en meter la cabeza por la rendija, lo bastante para verlo acostado en la cama. Díganme, ¿un loco habría sido tan prudente?

PT

E então, quando minha cabeça já estava bem dentro do quarto, eu abria a lanterna com todo o cuidado, com muito, muito cuidado, porque a dobradiça rangia. Abria só o tanto para que um único raio fino caísse sobre o olho de abutre. Fiz isso por sete longas noites, sempre à meia-noite em ponto. Mas sempre encontrava o olho fechado. E assim era impossível seguir adiante, porque não era o velho que me incomodava, mas o olho dele, o Olho Mau.

ES

Y entonces, cuando mi cabeza ya estaba bien dentro del cuarto, abría la con mucho cuidado, con mucho, mucho cuidado, porque la bisagra crujía. La abría solo lo justo para que un único rayo fino cayera sobre el de buitre. Hice esto durante siete largas noches, siempre a la en punto. Pero siempre encontraba el cerrado. Y así era imposible seguir adelante, porque no era el viejo quien me molestaba, sino su , el Malo.

PT

Na oitava noite, fui mais cuidadoso ao abrir a porta. O ponteiro de um relógio se move mais depressa do que a minha mão se movia. Nunca, antes daquela noite, eu havia sentido a extensão dos meus próprios poderes, da minha própria perspicácia. Mal conseguia conter o triunfo. Pensar que ali estava eu, abrindo a porta pouco a pouco, e ele nem sonhava com os meus atos secretos. Quase ri à ideia. E talvez ele tenha me ouvido, porque se mexeu de repente na cama, como se assustado.

ES

En la octava noche fui más cuidadoso al abrir la puerta. La aguja de un reloj se mueve más deprisa de lo que se movía mi mano. Nunca, antes de aquella noche, había sentido el alcance de mis propios poderes, de mi propia astucia. Apenas podía contener el triunfo. Pensar que allí estaba yo, abriendo la puerta poco a poco, y él ni siquiera soñaba con mis actos secretos. Casi me reí ante la idea. Y tal vez él me oyó, porque se movió de repente en la cama, como asustado.

PT

Talvez vocês pensem que recuei. Não recuei. O quarto estava negro como breu, num escuro espesso, pois as venezianas estavam bem fechadas com medo de ladrões. Eu sabia que ele não podia ver a fresta da porta, e continuei a empurrá-la, devagar, devagar. Já tinha a cabeça dentro e estava prestes a abrir a lanterna, quando meu polegar escorregou no fecho de metal, e o velho se sentou na cama, gritando: "Quem está aí?".

ES

Quizás piensen que retrocedí. No retrocedí. El cuarto estaba negro como la brea, en una espesa, pues las ventanas estaban bien cerradas por a los ladrones. Yo sabía que él no podía ver la rendija de la puerta, y seguí empujándola, , . Ya tenía la cabeza dentro y estaba a punto de abrir la , cuando mi pulgar resbaló en el cierre de metal, y el viejo se sentó en la cama, gritando: "¿Quién anda ahí?".

PT

Fiquei parado e não disse nada. Por uma hora inteira não movi um só músculo, e durante esse tempo não o ouvi se deitar de novo. Ele continuava sentado na cama, à escuta, exatamente como eu fazia, noite após noite, escutando o roer da morte na parede. Logo ouvi um leve gemido, e soube que era o gemido do terror mortal. Não era dor, nem tristeza. Era o som baixo e abafado que sobe do fundo da alma quando ela transborda de pavor. Eu conhecia bem aquele som. Muitas noites, à meia-noite, quando o mundo inteiro dormia, ele subira do meu próprio peito.

ES

Me quedé quieto y no dije nada. Durante una hora entera no moví ni un solo músculo, y en ese tiempo no lo oí acostarse de nuevo. Él seguía sentado en la cama, escuchando, igual que yo hacía, noche tras noche, escuchando el roer de la muerte en la pared. Pronto oí un leve gemido, y supe que era el gemido del terror mortal. No era dolor, ni tristeza. Era el bajo y ahogado que sube del fondo del alma cuando la inunda el pavor. Yo conocía bien aquel . Muchas noches, a la , cuando el mundo entero dormía, había subido de mi propio pecho.

PT

Tive pena dele, embora risse por dentro. Sabia que ele estava acordado desde o primeiro ruído, deitado e com medo crescendo a cada instante. Tentava convencer-se de que o medo não tinha causa, mas não conseguia. Dizia a si mesmo: "Não é nada, é só o vento na chaminé, é só um rato cruzando o chão". Sim, ele procurava se confortar com essas suposições. Mas tudo em vão. Porque a Morte, ao se aproximar dele, já tinha estendido a sua sombra negra, e era aquela sombra que o envolvia.

ES

Sentí lástima de él, aunque me reía por dentro. Sabía que él estaba despierto desde el primer ruido, acostado y con el creciendo a cada instante. Trataba de convencerse de que el no tenía causa, pero no podía. Se decía a sí mismo: "No es nada, es solo el viento en la chimenea, es solo un ratón cruzando el suelo". Sí, él buscaba consolarse con esas suposiciones. Pero todo en vano. Porque la Muerte, al acercarse a él, ya había extendido su sombra negra, y era aquella sombra la que lo envolvía.

PT

Quando esperei tempo bastante, resolvi abrir uma pequena fresta na lanterna. Abri, vocês não imaginam com que cuidado, até que afinal um único raio pálido, fino como um fio de aranha, saltou da fenda e caiu em cheio sobre o olho de abutre. Estava aberto, escancarado, e fui tomado de fúria ao fitá-lo. Vi-o com perfeita nitidez: um azul fosco, com aquela película medonha que me gelava até os ossos. Mas eu não via mais nada do rosto nem do corpo do velho, pois eu havia dirigido o raio, como por instinto, exatamente sobre o ponto maldito.

ES

Cuando esperé bastante tiempo, decidí abrir una pequeña rendija en la . La abrí, no se imaginan con qué cuidado, hasta que al fin un único rayo pálido, fino como un hilo de araña, saltó de la grieta y cayó de lleno sobre el de buitre. Estaba abierto, abierto de par en par, y me invadió la furia al mirarlo. Lo vi con perfecta nitidez: un azul apagado, con aquella película espantosa que me helaba hasta los huesos. Pero yo no veía nada más del rostro ni del cuerpo del viejo, pues había dirigido el rayo, como por instinto, justo sobre el punto maldito.

PT

E agora, será que não foi um excesso de agudeza dos sentidos? Chegou aos meus ouvidos um som baixo, surdo, rápido, como o de um relógio embrulhado em algodão. Aquele som eu também conhecia bem. Era o bater do coração do velho. Ele aumentava o meu furor, como o rufar de um tambor incita o soldado à coragem. O som crescia a cada instante, mais rápido, mais alto. O terror do velho devia ser extremo. Mais alto, eu disse, mais alto a cada momento. Vocês estão me ouvindo bem? Eu lhes disse que sou nervoso. E naquela hora morta da noite, no silêncio horrível daquela casa velha, um ruído tão estranho como aquele me arrastou a um terror incontrolável.

ES

Y ahora, ¿no fue acaso un exceso de agudeza de los sentidos? Llegó a mis s un bajo, sordo, rápido, como el de un reloj envuelto en algodón. Aquel también lo conocía bien. Era el latir del del viejo. Aumentaba mi furor, como el redoble de un tambor incita al soldado al valor. El crecía a cada instante, más rápido, más fuerte. El terror del viejo debía de ser extremo. Más fuerte, lo digo, más fuerte a cada momento. ¿Me están oyendo bien? Les dije que soy nervioso. Y en aquella hora muerta de la noche, en el silencio horrible de aquella casa vieja, un ruido tan extraño como aquel me arrastró a un terror incontrolable.

PT

Por mais alguns instantes me contive, parado. Mas o bater crescia, crescia. Pensei que o coração fosse estourar. E então um novo pânico tomou conta de mim: o som poderia ser ouvido por um vizinho. A hora do velho havia chegado. Com um grito alto, escancarei a lanterna e saltei para dentro do quarto. Ele gritou uma vez, só uma vez. Num instante o arrastei para o chão e puxei a cama pesada por cima dele. Sorri então, alegre por ver o serviço quase pronto. Mas, por muitos minutos, o coração bateu com um som abafado. Aquilo, porém, já não me incomodava, pois não atravessaria a parede. Por fim, cessou. O velho estava morto. Pus a mão sobre o peito e a mantive ali muito tempo. Não havia pulsação. Ele estava bem morto. O seu olho não me incomodaria mais.

ES

Por unos instantes más me contuve, quieto. Pero el crecía, crecía. Pensé que el estallaría. Y entonces un nuevo pánico se apoderó de mí: el podría ser por un vecino. La hora del viejo había llegado. Con un grito fuerte, abrí de golpe la y salté dentro del cuarto. Él gritó una vez, solo una vez. En un instante lo arrastré al suelo y eché la cama pesada por encima de él. Sonreí entonces, alegre de ver el trabajo casi terminado. Pero, durante muchos minutos, el latió con un ahogado. Eso, sin embargo, ya no me molestaba, pues no atravesaría la pared. Por fin cesó. El viejo estaba muerto. Puse la mano sobre su pecho y la mantuve allí mucho tiempo. No había pulso. Estaba bien muerto. Su ya no me molestaría más.

PT

Se ainda me julgam louco, deixarão de julgar quando eu descrever as sábias precauções que tomei para esconder o corpo. A noite avançava, e eu trabalhei depressa, mas em silêncio. Levantei três tábuas do assoalho do quarto e acomodei tudo no vão por baixo. Depois recoloquei as tábuas com tanta habilidade, tanta perfeição, que olho humano nenhum, nem mesmo o dele, poderia ter notado coisa errada. Não havia nada para lavar, nenhuma mancha, nenhuma marca de sangue. Eu havia tido o cuidado de tudo. Uma tina recebera tudo, ha, ha. Quando terminei esse trabalho, eram quatro da manhã, ainda escuro como meia-noite. Ao bater da hora, soou uma batida na porta da rua.

ES

Si todavía me creen loco, dejarán de creerlo cuando describa las sabias precauciones que tomé para esconder el cuerpo. La noche avanzaba, y trabajé deprisa, pero en silencio. Levanté tres tablas del suelo del cuarto y lo acomodé todo en el hueco de abajo. Después volví a colocar las tablas con tanta habilidad, tanta perfección, que ningún humano, ni siquiera el suyo, habría podido notar nada raro. No había nada que lavar, ninguna mancha, ninguna marca de . Había tenido el cuidado de todo. Una tina lo había recibido todo, ja, ja. Cuando terminé ese trabajo, eran las cuatro de la mañana, todavía oscuro como . Al dar la hora, sonó un golpe en la puerta de la calle.

PT

Desci para abrir com o coração leve, pois o que eu tinha a temer agora? Entraram três homens, que se apresentaram com toda a polidez como policiais. Um vizinho ouvira um grito durante a noite. Levantara-se a suspeita de algum crime, fora dada queixa, e eles haviam sido enviados para vasculhar a casa. Sorri, pois o que eu tinha a temer? Dei as boas-vindas aos cavalheiros. O grito, eu disse, fora meu, num pesadelo. O velho, mencionei, estava no campo. Levei os visitantes pela casa inteira. Pedi que procurassem, procurassem bem. Por fim, conduzi-os ao quarto dele. Mostrei seus tesouros, intactos, seguros. No entusiasmo da minha confiança, trouxe cadeiras para a sala e os convidei a descansar das buscas, enquanto eu, na ousadia louca do meu triunfo perfeito, coloquei o meu próprio assento exatamente sobre o ponto sob o qual repousava o corpo da vítima.

ES

Bajé a abrir con el ligero, pues ¿qué tenía yo que temer ahora? Entraron tres hombres, que se presentaron con toda cortesía como . Un vecino había un grito durante la noche. Había surgido la sospecha de algún crimen, se había puesto una denuncia, y los habían enviado a registrar la casa. Sonreí, pues ¿qué tenía yo que temer? Di la bienvenida a los caballeros. El grito, dije, había sido mío, en una pesadilla. El viejo, mencioné, estaba en el campo. Llevé a los visitantes por toda la casa. Les pedí que buscaran, que buscaran bien. Por fin los conduje a su cuarto. Mostré sus tesoros, intactos, seguros. En el entusiasmo de mi confianza, traje sillas a la sala y los invité a descansar de la búsqueda, mientras yo, en la audacia loca de mi triunfo perfecto, coloqué mi propio asiento justo sobre el punto bajo el cual reposaba el cuerpo de la víctima.

PT

Os policiais ficaram satisfeitos. Os meus modos os haviam convencido. Eu estava bem à vontade. Sentaram-se e, enquanto eu respondia animado, conversavam de coisas comuns. Mas, em pouco tempo, senti que empalidecia e desejei que fossem embora. Minha cabeça doía, e eu sentia um zumbido nos ouvidos. Continuei falando para me livrar daquela sensação, mas ela persistia, ganhava clareza, até que, por fim, descobri que o som não estava dentro dos meus ouvidos. Sem dúvida, fiquei muito pálido. Mas falei mais alto e mais depressa. E o som crescia. O que eu podia fazer? Era um som baixo, surdo, rápido, muito parecido com o de um relógio embrulhado em algodão. Eu arfava em busca de ar, e os policiais ainda não ouviam. Falei mais rápido, com mais violência, mas o ruído aumentava sem cessar.

ES

Los quedaron satisfechos. Mis modales los habían convencido. Yo estaba muy a gusto. Se sentaron y, mientras yo respondía animado, hablaban de cosas comunes. Pero, al poco tiempo, sentí que palidecía y deseé que se fueran. Me dolía la cabeza, y sentía un zumbido en los s. Seguí hablando para librarme de aquella sensación, pero persistía, ganaba claridad, hasta que, por fin, descubrí que el no estaba dentro de mis s. Sin duda, me puse muy pálido. Pero hablé más fuerte y más deprisa. Y el crecía. ¿Qué podía hacer yo? Era un bajo, sordo, rápido, muy parecido al de un reloj envuelto en algodón. Yo jadeaba en busca de aire, y los todavía no lo oían. Hablé más rápido, con más violencia, pero el ruido aumentaba sin cesar.

PT

Por que eles não iam embora? Andei de um lado para o outro a passos pesados, como enfurecido pelas observações dos homens, mas o som aumentava. Ó Deus, o que eu podia fazer? Espumava, delirava, praguejava. Sacudi a cadeira sobre a qual estava sentado e a arrastei pelas tábuas, mas o som ultrapassava tudo e crescia sem parar. Mais alto, mais alto, mais alto. E os homens ainda conversavam, sorridentes. Será possível que não ouvissem? Não. Eles ouviam, eles suspeitavam, eles sabiam, e estavam zombando do meu horror. Mas qualquer coisa era melhor do que aquela agonia. Eu não suportaria mais aqueles sorrisos hipócritas. Senti que precisava gritar ou morrer. E agora, de novo, escutem, mais alto, mais alto, mais alto. "Cumplices!", gritei, "não finjam mais. Eu confesso o que fiz. Arranquem as tábuas. Aqui, aqui. É o bater do horrendo coração dele."

ES

¿Por qué no se iban? Caminé de un lado a otro con pasos pesados, como enfurecido por las observaciones de los hombres, pero el aumentaba. Oh Dios, ¿qué podía hacer yo? Echaba espuma, deliraba, maldecía. Sacudí la silla sobre la que estaba sentado y la arrastré por las tablas, pero el lo superaba todo y crecía sin parar. Más fuerte, más fuerte, más fuerte. Y los hombres todavía conversaban, sonrientes. ¿Será posible que no lo oyeran? No. Ellos lo oían, ellos sospechaban, ellos sabían, y se burlaban de mi horror. Pero cualquier cosa era mejor que aquella agonía. Yo no soportaría más aquellas sonrisas hipócritas. Sentí que tenía que gritar o morir. Y ahora, de nuevo, escuchen, más fuerte, más fuerte, más fuerte. "¡Cómplices!", grité, "no finjan más. Yo confieso lo que hice. Arranquen las tablas. Aquí, aquí. Es el latir de su horrendo ."

ESVocabulário da história

Sobre a obra

O Coração Delator (no original The Tell-Tale Heart) é um conto curto de Edgar Allan Poe, publicado pela primeira vez em 1843. É um dos exemplos mais perfeitos do chamado narrador não confiável: tudo é contado pela boca de quem cometeu o crime, alguém que jura sua sanidade justamente enquanto descreve coisas insanas. O terror não vem de monstros, mas de uma mente que se desmonta diante dos nossos olhos.

Poe foi mestre em transformar o medo psicológico em arte. Aqui ele dispensa sangue e violência explícita e aposta tudo na tensão: o silêncio da casa, o raio de luz sobre o olho, o som que cresce e cresce. O coração que bate sob as tábuas pode ser real ou pode ser apenas a culpa do narrador batendo dentro dele. O conto deixa essa dúvida de propósito.

Edgar Allan Poe (1809-1849) é considerado um dos inventores do conto moderno de terror e do conto policial. Sua obra influenciou gerações de escritores e segue sendo leitura obrigatória de quem ama atmosfera, suspense e o lado mais sombrio da mente humana.

Perguntas frequentes

O narrador é realmente louco?

O conto nunca confirma. Ele insiste o tempo todo que não é louco, que só tem os sentidos muito aguçados, mas tudo o que ele conta sugere o contrário. Essa é a graça da história: Poe deixa você decidir se aquele coração batendo sob o assoalho era real ou apenas a culpa ecoando na cabeça dele.

Por que ele mata o velho, se diz que o amava?

Não é por ódio, dinheiro ou vingança. O narrador afirma que o incomodava apenas o olho do velho, aquele olho pálido de aspecto doente, que ele compara ao olho de um abutre. A ausência de um motivo racional torna o crime ainda mais perturbador.

Tem cenas violentas ou sangrentas?

Não. O terror de Poe aqui é totalmente psicológico. Não há descrições gráficas: o medo vem do clima, do silêncio, do som que cresce e da mente do narrador se desfazendo. É arrepio por atmosfera, não por choque visual.