Infantil

Saci-Perere: a Lenda do Menino Travesso de Uma Perna So

Essa lenda nasceu nas noites do interior do Brasil, e seu filho ainda vai conhecer o menino de uma perna só que vira redemoinho. Levar essa raiz brasileira pro espanhol é mágico. Leia o Saci-Pererê nos dois idiomas, na hora de dormir.

Jonathan MachadoJonathan Machado
5 min de leitura924 palavras

Aprenda espanhol lendo esta história

Toque nas palavras destacadas para ver a tradução e a dica

A1 · Iniciante
PT

Era uma vez, no coração quente do Brasil, uma noite de mato cheirando a terra molhada e folha verde. A lua subia devagar entre as copas das árvores, e os grilos cantavam baixinho, como quem nina a floresta inteira. Foi nessa hora, quando o vento ainda estava preguiçoso, que um menino travesso apareceu pulando numa perna só. Ele tinha a pele escura como a noite, olhos brilhantes de risada, e na cabeça um gorro vermelho que parecia guardar todos os segredos do mundo.

ES

Había una vez, en el corazón cálido de Brasil, una noche de monte que olía a tierra mojada y a hoja verde. La luna subía despacio entre las copas de los árboles, y los grillos cantaban bajito, como quien arrulla al entero. Fue en ese momento, cuando el todavía estaba perezoso, que apareció un travieso saltando en una sola pierna. Tenía la piel oscura como la noche, ojos brillantes de risa, y en la cabeza un rojo que parecía guardar todos los secretos del mundo.

PT

Esse menino se chamava Saci, e não havia bicho do mato que não conhecesse o seu nome. Ele pulava de um lado para o outro, leve como uma faísca, sempre com um cachimbo velho preso entre os dentes. Do cachimbo saía uma fumaça cinzenta e cheirosa, que subia em espiral e sumia no escuro. Quando ele ria, soltava um assobio fininho e agudo, e os pássaros adormecidos abriam os olhos, sem saber se sonhavam ou não.

ES

Ese se llamaba Saci, y no había animal del monte que no conociera su nombre. Saltaba de un lado a otro, ligero como una chispa, siempre con una vieja entre los dientes. De la salía un gris y oloroso, que subía en espiral y desaparecía en la oscuridad. Cuando se reía, soltaba un finito y agudo, y los pájaros dormidos abrían los ojos, sin saber si soñaban o no.

PT

O Saci adorava aprontar, mas nunca com maldade de verdade. Ele escondia as coisas das pessoas só para vê-las procurando, coçando a cabeça, resmungando baixinho. Numa cabana perto do rio, ele entrou pé ante pé e escondeu a colher de pau da velha cozinheira dentro do pote de farinha. De manhã, a mulher revirou a casa inteira, e o Saci, escondido atrás de uma jarra, mordia o cachimbo para não gargalhar.

ES

Al Saci le encantaba hacer travesuras, pero nunca con maldad de verdad. Escondía las cosas de la gente solo para verlos buscando, rascándose la cabeza, refunfuñando bajito. En una cabaña cerca del río, entró de puntillas y escondió la cuchara de palo de la vieja cocinera dentro del bote de harina. Por la mañana, la mujer revolvió toda la casa, y el Saci, escondido detrás de una jarra, mordía la para no soltar la carcajada.

PT

Também gostava de fazer travessuras com os bichos do quintal. Trançava as crinas dos cavalos em nós tão apertados que ninguém conseguia desfazer, e azedava o leite recém tirado só com um sopro de fumaça. As galinhas corriam apavoradas quando ele assobiava perto do galinheiro, e os cachorros latiam para o vento, sem ver ninguém. "Quem está aí?", gritava o fazendeiro na varanda. Mas o Saci já tinha sumido, leve como pluma.

ES

También le gustaba hacer travesuras con los animales del patio. Trenzaba las crines de los caballos en nudos tan apretados que nadie podía deshacerlos, y agriaba la recién ordeñada con solo un soplo de . Las gallinas corrían asustadas cuando él silbaba cerca del gallinero, y los perros ladraban al , sin ver a nadie. "¿Quién anda ahí?", gritaba el granjero en el porche. Pero el Saci ya había desaparecido, ligero como una pluma.

PT

O segredo do Saci, porém, estava no vento. Quando um redemoinho subia girando pela estrada de terra, levantando poeira e folhas secas, era ali que ele viajava. Ele entrava no meio do giro e rodava, rodava, rodava, como se dançasse com o ar. Num piscar de olhos, atravessava campos, pulava cercas e aparecia do outro lado da serra, ainda rindo do susto que tinha pregado.

ES

El secreto del Saci, sin embargo, estaba en el . Cuando un subía girando por el camino de tierra, levantando polvo y hojas secas, era allí donde él viajaba. Se metía en medio del giro y daba vueltas, vueltas, vueltas, como si bailara con el aire. En un abrir y cerrar de ojos, cruzaba campos, saltaba cercas y aparecía al otro lado de la sierra, todavía riéndose del susto que había dado.

PT

Os mais velhos da região contavam um segredo precioso, sussurrando perto do fogo. Diziam que, se alguém fosse esperto o bastante para arrancar o gorro vermelho da cabeça do Saci, podia pedir um desejo, qualquer um. O gorro era a fonte de toda a sua magia, e sem ele o menino ficava preso, sem poder fugir no vento. Mas pegar o Saci, ah, isso quase ninguém conseguia, porque ele era esperto como a própria malandragem.

ES

Los mayores de la región contaban un secreto precioso, susurrando cerca del fuego. Decían que, si alguien era listo lo suficiente para arrancar el rojo de la cabeza del Saci, podía pedir un , cualquiera. El era la fuente de toda su magia, y sin él el quedaba atrapado, sin poder huir en el . Pero atrapar al Saci, ay, eso casi nadie lo lograba, porque era listo como la pura picardía.

PT

Numa certa noite de lua cheia, um caçador teimoso resolveu tentar. Ele preparou uma peneira velha, daquelas de separar feijão, e ficou de tocaia atrás de um pé de goiaba, segurando a respiração. Quando o redemoinho do Saci passou girando pela trilha, o homem jogou a peneira por cima do vento com toda a força. "Te peguei!", gritou, o coração batendo forte dentro do peito.

ES

Una cierta noche de luna llena, un terco decidió intentarlo. Preparó un cedazo viejo, de esos de separar los frijoles, y se quedó al acecho detrás de un árbol de guayaba, conteniendo la respiración. Cuando el del Saci pasó girando por el sendero, el hombre lanzó el cedazo sobre el con todas sus fuerzas. "¡Te atrapé!", gritó, con el corazón latiendo fuerte dentro del pecho.

PT

Por um instante o Saci ficou tonto, rodopiando dentro da peneira, o gorro vermelho escorregando para o lado. O caçador esticou a mão trêmula para agarrar o tal gorro mágico. Mas o menino, esperto, soprou uma baforada de fumaça bem nos olhos do homem. Quando a fumaça se desfez, a peneira estava vazia, e só se ouvia um assobio fino sumindo pela mata. "Quem sabe na próxima!", riu o Saci, longe, no alto da serra.

ES

Por un instante el Saci quedó mareado, dando vueltas dentro del cedazo, con el rojo resbalando hacia un lado. El estiró la mano temblorosa para agarrar aquel mágico. Pero el , listo, sopló una bocanada de justo en los ojos del hombre. Cuando el se deshizo, el cedazo estaba vacío, y solo se oía un fino desapareciendo por el monte. "¡Quizá la próxima vez!", se rió el Saci, lejos, en lo alto de la sierra.

PT

Mas nem só de travessura vivia o pequeno Saci. Quando algum homem chegava com machado para derrubar árvore boa, ele virava o pior pesadelo da floresta. Apagava o fogo das fogueiras, escondia o facão, soltava os bichos das armadilhas e enchia o caminho de redemoinhos zangados. A mata era a casa dele, e ele cuidava de cada folha como quem cuida de um tesouro.

ES

Pero el pequeño Saci no vivía solo de travesuras. Cuando algún hombre llegaba con hacha para derribar un árbol bueno, se convertía en la peor pesadilla del . Apagaba el fuego de las hogueras, escondía el machete, soltaba a los animales de las trampas y llenaba el camino de s enojados. El monte era su casa, y él cuidaba cada hoja como quien cuida un tesoro.

PT

Dizem que o Saci ainda anda por aí, nas estradas de terra do Brasil, sempre que um ventinho gira sozinho ao entardecer. Se você ouvir um assobio fino vindo do mato, e o leite amanhecer azedo sem motivo, talvez tenha sido ele passando, brincalhão como sempre. Então feche os olhos com carinho, menino, e durma tranquilo: o Saci só apronta com quem maltrata a floresta. Para quem ama a natureza, ele guarda o vento bom da noite, soprando devagar até o sono chegar.

ES

Dicen que el Saci todavía anda por ahí, en los caminos de tierra de Brasil, cada vez que un vientecito gira solo al atardecer. Si oyes un fino que viene del monte, y la amanece agria sin motivo, tal vez fue él que pasó, juguetón como siempre. Entonces cierra los ojos con cariño, , y duerme tranquilo: el Saci solo hace travesuras a quien maltrata el . Para quien ama la naturaleza, él guarda el bueno de la noche, soplando despacio hasta que llegue el .

ESVocabulário da história

Você acabou de ler a história nos dois idiomas, no leitor logo acima. Agora veja como transformar essa leitura num ritual de aprendizado para a família inteira, e conheça os bastidores desse conto que atravessa gerações.

Como ler esta história nos dois idiomas

Comece em português, do jeito que você sempre fez. Crie o clima, faça as vozes, deixe a criança entrar na história e viver cada cena.

Na parte mais marcante, pause e brinque: sabe como se fala vento em espanhol? viento. Esse é o momento mais bonito, quando a criança percebe que já entende mais do que imagina.

Na segunda leitura, use o leitor bilíngue acima no modo Espanhol. Não traduza cada frase, deixe o fluxo acontecer. Quando aparecer uma palavra nova, toque nela para ver a tradução e a dica, e leia em voz alta junto com a criança. Observe o rosto dela: se sorrir ou antecipar a fala, o aprendizado está acontecendo.

Os personagens

  • O Saci-Pererê: menino travesso de uma perna só, com gorro vermelho e cachimbo.
  • O gorro vermelho: objeto mágico que guarda os poderes do Saci.
  • O redemoinho: o vento em que o Saci viaja pelo campo.
  • Os animais da mata: que o Saci ora protege, ora apronta.

Origem e versões

O Saci-Pererê é uma das figuras mais famosas do folclore brasileiro, com raízes indígenas e africanas, passada de geração em geração.

  • A lenda mistura influências dos povos indígenas e africanos do Brasil.
  • No Brasil, o dia 31 de outubro é comemorado como o Dia do Saci.
  • O gorro vermelho e o cachimbo são marcas registradas do personagem.
  • Por ser folclore de tradição oral, a lenda é de domínio público.

O que a história ensina

O Saci-Pererê valoriza a cultura brasileira e o respeito à natureza, com travessuras que divertem sem maldade. Para uma família que vai viver longe, é um jeito carinhoso de manter as raízes vivas.

Para aprender espanhol, a lenda é ótima: a criança já conhece o Saci, então a atenção fica nas palavras. É o princípio do input compreensível. Leia junto e toque no vocabulário destacado.

Perguntas frequentes

De onde vem a lenda do Saci-Pererê?

É uma lenda do folclore brasileiro, com raízes indígenas e africanas, passada de geração em geração.

O que o Saci representa?

A esperteza, a travessura sem maldade e a proteção da natureza.

A lenda do Saci é de domínio público?

Sim. Por ser folclore de tradição oral, é de domínio público.